Arquivo do mês: fevereiro 2010

O chocalho de Tweedledum


Não consigo conceber a ideia de que Through the looking glass and what Alice found there foi escrito/pensado para crianças lerem. Duvido!
Segue trecho do livro que , nas palavras da contra-capa da edição de Martin Claret, "oculta questionamentos de toda espécie, lógicos ou semânticos, problemas psicológicos de identidade e até políticos".

    “(…)
    _ Criaturas egoístas _ pensou Alice.
    E ia saindo, mas Tweedledum saiu debaixo do guarda-chuva e segurou-a pelo pulso.
    _ Está vendo aquilo? _ disse, muito excitado.
    Vibrava-lhe a voz, de tão apaixonado. Os olhos arregalados, o dedo trêmulo, apontava para uma coisinha esbranquiçada, que se via debaixo da árvore.
    _ Isto é um chocalho _ disse Alice, depois de examinar cuidadosamente a coisinha branca. _ Não é uma cobra de chocalho, não é cascavel, não _ apressou-se a dizer, pensando que ele estava assustado _; é apenas um chocalho velho… muito velho e todo amassado.
    _ Eu sabia que era! _ gritou Tweedledum sapateando desesperado, e arrancando os cabelos. _ E está estragado! Está!
    Olhou para Tweedledee, que imediatamente se sentou no chão, procurando esconder-se debaixo do guarda-sol.
    Alice pôs-lhe a mão no braço e disse, para acalmá-lo:
    _ Não vale a pena ficar zangado por causa de um chocalho velho…
    _ Mas não é velho _ gritou Tweedledum, mais enfurecido ainda. _ É novo, eu lhe digo… Comprei-o ontem… meu lindo chocalho novo!
    A voz subia, num grito cada vez mais alto.
    (…)”

CARROL, Lewis. Alice no país dos espelhos. Tradução: Pepita de Leão. São Paulo: Martin Claret, 2008. p. 71.

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Bonequinhas russas


Olha que lindos os bonequinhos criados pela russa que atende pelo nome da-bu-di-bu-da na web.
A fofa mora em Moscou, tem como um de seus artistas preferidos o Salvador Dali e ainda curte o Cortazar (meu ‘divo’).
Alguns a própria que fez e outros foram apenas customizados.
Ela é quem tira as fotografias, montadas com historinhas.

Boicote à Alice na Europa


Não sei se vocês ouviram falar, mas alguns países europeus querem boicotar Alice in Wonderland . Tudo porque a Disney quer reduzir o tempo de lançamento do DVD em um mês. A desculpa oferecida é que assim a empresa diminuirá a pirataria, aumentará a receita de entretenimento doméstico e minimizará os custos de marketing.
Os empresários ficaram possessos. Acham que o número de pessoas que se deslocarão até o cinema vai cair. Odeon e Vue já tiraram todos os trailers e materiais promocionais de Alice dos cinemas e pararam de vender bilhetes por antecedência. A Cineworld, que corresponde a 24% das bilheterias do Reino Unido, anunciou que vai exibir o filme mesmo assim. (o que acabou quebrando o movimento de boicote. Mas como ela é uma empresa pública, diferente de todas as outras que pretendem boicotar, preferiu não correr o risco de perder dinheiro com tudo isso)

Cinemas da Bélgica, Holanda e Itália já declararam a intenção de boicotar o filme.

*** Intimidade entre amigos




Todo cuidado é pouco.

Maus Hábitos


Assisti Maus Hábitos, do Almodóvar, um dia desses. Ele é daqueles filmes do diretor que te envolvem até você querer que ele não termine nunca mais. Bem diferente da nova fase do bonito (que, a propósito, deixou muito a desejar com Abraços Partidos)

No filme, Almodóvar mostra a capacidade que tem de transformar até os personagens mais mesquinhos em figuras interessantes. Assim como a habilidade de traduzir, melhor do que muitos, o que se passa na cabeça de uma mulher (os anseios, desejos, angústias).

O diretor e roteirista disse em uma entrevista que foi com Maus Hábitos que ele começou “a tomar consciência do que representa a linguagem cinematográfica”. Ou seja, o filme é a oportunidade de ver Amodóvar no início efervescente da arte que ele sabe fazer.

A mistura de fascínio pelo mal/pecado e o crescimento sem freios da personalidade humana (pertencente a dondoca ou à aventureira drogada) guiam a história. Incluindo freira viciada em heroína, outra em ácido, Tarzan genérico e uma ladra de pseudônimo.

O filme marcou a aparição da atriz Chus Lampreave, a irmã Rata. Papel pequeno, mas que ganhou super-vida com a acentuada expressividade da atriz.

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